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"Os Voluntários são a alma do Movimento" O Voluntariado é um dos sete princípios fundamentais da Cruz Vermelha, adoptados na XX Conferência Internacional de 1965, e em recomendações da XXV Conferência Internacional de 1986. Voluntariado - "A Cruz Vermelha é uma instituição de socorro voluntária e desinteressada." Voluntário - É a pessoa que contribui de diversas formas, sem procurar lucro ou recompensa, mas com a convicção de que age para o bem da comunidade, procurando, com isso, alguma satisfação. Neste sentido, a Cruz Vermelha acolhe e encoraja o oferecimento de pessoas que desejem, voluntariamente, colaborar com a Instituição. O Voluntariado assume, neste contexto, uma posição de suma importância, transversal a toda a actuação da Cruz Vermelha, apoiando projectos e acções que se desenvolvem a diferentes níveis. E o trabalho do voluntariado da Cruz Vermelha em todo o mundo tem sido efectivamente positivo, porque pode contar com milhões de membros e voluntários. Quando são consideradas em uníssono todas as 176 Sociedades Nacionais, resultam os seguintes dados: 105,5 milhões de membros e voluntários, 298 mil membros do staff, e apresentando gastos anuais na ordem dos 24 biliões de francos suíços. Valores que fazem do Movimento uma verdadeira entidade global com enormes capacidades.
O trabalho voluntário esteve sempre no cerne da ideia de Cruz Vermelha. Quando Henry Dunant - fundador do Movimento - viu os soldados feridos e moribundos na Batalha de Solferino, rapidamente reuniu populações das aldeias mais próximas para lhes prestar auxílio, tendo mais tarde escrito "Recordação de Solferino". Não seria possível formar sociedades de auxílio que cuidassem dos feridos em tempo de guerra, através do trabalho zeloso, devoto e qualificado de voluntários?, interrogou-se Henry Dunant. Dunant viu a urgência do auxílio humanitário e as populações responderam às necessidades. Desta visão
de há quase 150 anos, cresceu o Movimento da Cruz Vermelha e do
Crescente Vermelho. Hoje, existem Sociedades Nacionais em 176 países
em todo o mundo, numa rede humanitária global que envolve quase
100 milhões de membros e voluntários. Os voluntários
agem, porque percepcionam as necessidades e porque lhes querem dar resposta.
Atenuar o sofrimento humano é, porém, mais fácil
onde esse fenómeno é visível. Em muitos países
em vias-de-desenvolvimento, as carências são evidentes. Aí,
a recruta de voluntários é um desafio. Quando se fala da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, muitas pessoas pensam apenas nas ambulâncias ou em voluntários que distribuem comida. Esta é, porém, apenas uma pequena janela do nosso trabalho. Os nossos voluntários estão envolvidos em programas de juventude, primeiros socorros, resposta a catástrofes, apoio a refugiados, campanhas de saúde e outros programas de auxílio aos mais vulneráveis. Saliente-se que o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho atende, anualmente, a mais de 200 milhões de pessoas vulneráveis. O trabalho voluntário é diferente do trabalho pago, na medida em que lhe são inerentes características que o tornam especial. Desde logo, os voluntários têm uma forte motivação pessoal, a qual produz um grande impacte no beneficiário. Os voluntários trabalham em part-time, pelo que, ao combinar esta actividade com uma outra, podem fazê-la durar muitos anos e com maior empenho. Finalmente, os voluntários pertencem à comunidade local, conhecem os seus recursos e necessidades e, quando existe uma catástrofe, já lá estão. A Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho são a maior organização de Voluntariado no mundo, marcada por uma forte e longa tradição neste campo. Porém, o Voluntariado não é fácil, na medida em que exige da organização uma adaptação constante aos novos parâmetros e às novas exigências que se colocam. Seja qual for o modelo de Voluntariado aplicado por uma SN, ele tem sempre que moldar-se às necessidades locais, às vulnerabilidades locais e à resposta dos voluntários locais.
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